Não estava nos meus
planos. Gostar de você foi um descuido passageiro do coração. Aliás, passageiro
não! Desde o início, você tomou as rédeas desse músculo cardíaco, tornou-se o
piloto dos meus pensamentos e, consequentemente, da minha vida.
Que coisa, não?
Logo eu que sempre preferi dirigir sozinha, que não deixava ninguém ao menos
ajeitar o retrovisor pra mim, não consegui puxar o freio de mão.
Você está no controle e sabe disso, não é? A verdade é que não sei se esse
carro suporta. Você anda querendo
trafegar em estradas sinuosas, mas as molas desse coração estão fracas, os
pneus dos sentimentos desgastados e, cá pra nós, acho que as esperanças estão
sem água... ou seu óleo, não sei. Entendo tanto de carro quanto de emoções e
vice-versa.
Fui deixando você guiar. E ainda que estivesse com meu cinto de segurança bem
apertado não estava preparada para essa freada tão brusca. Sem explicação, você
abandonou o carro com o motor ligado. Um tanto quanto cruel.
Por fim, só queria avisar que a porta está aberta e a chave na ignição. Se
quiser voltar, eu deixo você acelerar. O carro e o coração.
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