- Senta aqui. Chora no meu ombro. Não tenha medo de
se expor. Não precisa falar, seus olhos já me dizem tudo.
Prometo
não mais te julgar, dizer que estava errada. Quem sou eu pra isso?
Não
prende o choro, não deixa se esvair dentro da alma essa tristeza sem fim.
Meu
ombro tá aqui pra ser molhado com a tua doce lágrima. Doce não, salgada!
Doce,
só o seu amor. Amor imerecido (se é que existe esse adjetivo).
Amor inacabado,
interrompido, torto e frágil.
Mas
guarda. Guarda só o amor. Não a dor.
A
dor pode rolar, sair, extravasar. Não deixa ela chegar ao coração, porque
decepção é doença em estado terminal. Sufoca a esperança, desestabiliza a fé e
vai lixando pouco a pouco o sorriso da alma.
Não
deixa não... senta aqui. Já te disse, pode deitar, se quiser. Tem um colo te
esperando.
Mas
não prolonga a tristeza, não cometa o mesmo erro, não desperdice tanto amor em
um ralo que só te suga, suga, suga e no fim, deixa migalhas. Se espreguiça no
colchão aqui comigo, pega o fone embolado na mochila e vem ouvir
Mart'nália.
Prometo
não dizer nada. Já disse tudo, já até gritei. Agora só quero seu choro. Não vou
dizer: 'eu te avisei'. É
duro demais pra você que é mole demais.
Deixa
de bobeira, vem aqui. Me abraça forte, mas bem forte, porque se eu pudesse,
pegava essa dor pra mim. -
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