quinta-feira, 11 de setembro de 2014

- Imerecido amor -

- Senta aqui. Chora no meu ombro. Não tenha medo de se expor. Não precisa falar, seus olhos já me dizem tudo.
Prometo não mais te julgar, dizer que estava errada. Quem sou eu pra isso?
Não prende o choro, não deixa se esvair dentro da alma essa tristeza sem fim.
Meu ombro tá aqui pra ser molhado com a tua doce lágrima. Doce não, salgada!
Doce, só o seu amor. Amor imerecido (se é que existe esse adjetivo). 
Amor inacabado, interrompido, torto e frágil.
Mas guarda. Guarda só o amor. Não a dor.
A dor pode rolar, sair, extravasar. Não deixa ela chegar ao coração, porque decepção é doença em estado terminal. Sufoca a esperança, desestabiliza a fé e vai lixando pouco a pouco o sorriso da alma.
Não deixa não... senta aqui. Já te disse, pode deitar, se quiser. Tem um colo te esperando.
Mas não prolonga a tristeza, não cometa o mesmo erro, não desperdice tanto amor em um ralo que só te suga, suga, suga e no fim, deixa migalhas. Se espreguiça no colchão aqui comigo, pega o fone embolado na mochila e vem ouvir Mart'nália. 
Prometo não dizer nada. Já disse tudo, já até gritei. Agora só quero seu choro. Não vou dizer: 'eu te avisei'. É duro demais pra você que é mole demais.

Deixa de bobeira, vem aqui. Me abraça forte, mas bem forte, porque se eu pudesse, pegava essa dor pra mim. - 

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